sábado, 22 de agosto de 2009

O INÍCIO DE TUDO

Quem procurar no livro dos Municípios (ou ler o meu livro) deve verificar que são muitos os fundadores da cidade de Jardim. O primeiro é o Major Alberto Rodrigues da Costa e os outros são servidores da unidade civil-militar conhecida como C.E.R-3.Porque levavam uma vida quase medieval, sem comunicações com o mundo civilizado, resolveram fundar uma vila para que melhorassem as condições de vida de suas famílias. Havia falta de tudo: alimentos industrializados, roupas, tecidos, gêneros de primeira necessidade. Morando em casebres de pau-a-pique, sujeitos às doenças e intempéries. O que tinham era conseguido no Patrimônio Guia Lopes, a atual cidade vizinha Guia Lopes da Laguna. Ali havia um comércio com gêneros de primeira necessidade. Ocorre que, muitas vezes faltava tudo, porque os caminhões que traziam as mercadorias atolavam, por causa das chuvas, demorando até 12 dias para chegar de Campo Grande. Aquidauana era um centro comercial respeitável e também de lá vinha muita coisa. A C. E. R-3 tinha os seus representantes e que mandavam aquilo que necessitavam. Mas, os civis que viviam no entorno da vila precisavam também comprar para a subsistência de seus familiares. O caminhão do Osmar trazia gêneros, que vendia para os bolichos (armazéns). O seu Medeiros, que residia no Patrimônio Guia Lopes tinha um caminhão com o qual trazia um pouco de tudo para vender e era proprietário de uma farmácia que servia às duas vilas. No tempo mais próximo aos primeiros vagidos da nossa cidade, viajava-se nos caminhões que traziam as mercadorias e davam carona pra quem quisesse. Lembro-me que eu mesma fui diversas vezes e ficávamos até seis ou sete dias na estrada. Depois, tinha-se que ir de combi (que fazia a linha) até Maracaju e de lá se pegava o trem a fim de chegar à Metrópole Campo Grande. Decorridos mais alguns anos, começou a funcionar a jardineira do Nascimento, que operava no trecho entre Aquidauana e Bela-Vista. Para quem fosse servidor da C. E. R-3 havia o C.A.N. (correio aéreo nacional) que levava as pessoas para várias cidades do Brasil, como Campo Grande, Rio de Janeiro e São Paulo. Esse meio de transporte vinha de 15 em 15 dias e havia lista de espera, principalmente nas férias escolares. Como era bom aquele tempo! As pessoas tão simplórias e todos mais felizes...
Fonte: Prof. Rita Carmem Braga Lima

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